JANUS 2015/2016: Integração Regional e Multilateralismo

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Publication Details

Editor list: Dias V
Publisher: Observare
Publication year: 2015
Number of pages: 499
Languages: Portuguese-Portugal (PT-PT)


Abstract

Descrição

Neste
número, abordamos antes de mais a conjuntura internacional. Não sendo o
anuário JANUS uma publicação de actualidade, de notícias do dia-a-dia,
os artigos que editamos têm vocação de analisar sobretudo as estruturas,
as constantes, as interpretações dos processos. Facilmente, por isso,
estão sujeitos a certas desactualizações, até porque vai significativa
distância entre o momento em que os textos são escritos e o momento em
que são lidos. Por outro lado, a densidade da vida internacional e a
dispersão dos processos obrigam a seleccionar alguns temas, à custa de
deixar outros na sombra. Isto mesmo se sentirá ao lermos o capítulo
sobre a conjuntura internacional, com as suas inevitáveis lacunas e as
prováveis necessidades de actualizações factuais.

O caso da crise
europeia nas suas várias dimensões é um bom exemplo dos limites deste
anuário. É um tema de tanta acuidade, de impactos tão fortes no espaço
europeu e muito para além dele, que mereceria ser aqui desenvolvido. Mas
já dedicámos a ele o JANUS 2013 (“As incertezas da Europa”) e optámos
por não o elaborar de novo em pormenor, focando o nosso olhar noutros
pontos onde também se faz sentir a turbulência internacional, desde o
Médio Oriente ao Mar da China.

No segundo capítulo a nossa
observação espalha-se pelas variadíssimas geografias dos nacionalismos,
em si mesmos considerados através de alguns casos exemplares, mas também
naquelas situações onde o sentido identitário das comunidades provoca
intenções separatistas. Alguns desses casos estão próximos de nós, como o
da Escócia ou da Catalunha ou mesmo o do Chipre; outros são mais
distantes e certamente mais difíceis de analisar como os que ocorrem na
África e na Ásia; outros ainda assumem aos nossos olhos um carácter
delirante, como o da Padânia no norte de Itália. Seja como for, essa
mesma variedade de situações comprova que a globalização, mesmo
generalizando-se, aparentemente é compatível e porventura até mesmo
provoca os processos de fragmentação. Um mundo mais unificado não é
necessariamente um mundo mais uniformizado, o que representa seguramente
uma vantagem, já que o respeito pelas identidades e o direito das
minorias são pontos obrigatórios da nossa convivência comum.

Todavia,
se assistimos a segregações e a separações, talvez mais ainda a cena
internacional assista a processos de fusão, de agregação, de integração.
O fenómeno da multiplicação de organismos de cooperação interestatal
teve momentos altos em décadas anteriores, mas continua a ser uma
característica do sistema mundial dos nossos dias. Uma das grandes
mutações desse sistema no último meio século foi justamente a da
emergência do multilateralismo, pela criação de organismos ora globais
ora de escala regional, que constituem a estrutura basilar, as
verdadeiras artérias, da chamada comunidade internacional. Se isso é
visível nos campos da política e da segurança, mais visibilidade adquire
no terreno económico, na medida em que se diria que o sistema económico
dos nossos tempos tende a ultrapassar as fronteiras dos Estados
nacionais e a consolidar-se em espaços mais vastos. Daí a multiplicidade
das estruturas de integração económica regional, como novos territórios
de uma também nova geografia – a da geopolítica e a da geoeconomia. O
último capítulo deste anuário, ao tratar os fenómenos da integração
regional e do multilateralismo, procura dar conta desta dinâmica de
cooperação entre países, nas suas ambiguidades também nas suas
capacidades.

(Retirado de: https://www.mediaxxi.com/loja/integracao-regional-e-multilateralismo/)


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Last updated on 2019-10-08 at 00:16