Inteligência artificial e “Fake News” (abstract)

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Publication Details

Author list: Martinez de Campos M, Damas R M
Publisher: Ediciones Egregius
Place: Sevilla
Publication year: 2019
Start page: 356
End page: 357
Number of pages: 2
ISBN: 978-84-17270-82-7
Languages: Portuguese-Portugal (PT-PT)


Abstract

Tendo
por base o desenvolvimento exponencial que os mecanismos de inteligência
artificial têm tido nos últimos anos e tendo em conta as estratégias europeias
sobre o combate à desinformação em linha, nomeadamente o código de conduta
sobre a desinformação à escala da União Europeia (EU), a criação de uma rede
independente de verificadores de factos e ações destinadas a incentivar o
jornalismo de qualidade e a promover a literacia mediática, vimos questionar o
papel dos mecanismos de inteligência artificial na consolidação, divulgação e
criação das denominadas “fake news”,
bem como o seu papel no combate à desinformação. Hoje em dia, muitas das
notícias falsas que são veiculadas nas redes sociais, são propagadas e
alimentadas de forma quase epidémica por engenhos de inteligência artificial
através de comentários, publicações ou outras formas de divulgação de
conteúdos. A forma como funcionam as plataformas digitais e as aplicações da
internet estimula a desinformação. Quanto mais “likes”, mais tempo as pessoas
permanecerem nas plataformas, mais quantidade de reações aos “likes” e mais
partilhas de conteúdos houver, mais relevante o conteúdo se torna e maior será
a sua rentabilidade para quem o produziu. Nesse contexto, o desafio de produzir
informação de qualidade torna-se mais premente e intensifica-se a
responsabilidade daqueles que distribuem os conteúdos produzidos e a dos
leitores que, com esta forma de informação e desinformação, deveriam adoptar uma
postura mais critica em relação aos conteúdos que recebem. Se o nível de “inteligência”
de algumas plataformas digitais revela já capacidade reactiva e proactiva,
demonstrando um nível de argumentação assinalável e uma capacidade de
auto-aprendizagem notável, é de questionar se haverá mecanismos que
identifiquem e limitem a circulação das fake news com o objetivo de
favorecer a transparência e a credibilidade das fontes de informação. O modelo
que está a ser delineado inclui, à escala da EU, medidas para fechar contas
falsas ativas, para identificar as mensagens propagadas automaticamente por “bots”
e a constituição de um grupo de verificadores de factos. Perante estas medidas
questiona-se se é possível ou desejável que a máquina ou o homem tenham poderes
para definir o que deve ou não circular de informação na sociedade, e quais os
critérios entre a verdade e a mentira, entre a informação e a opinião. Podemos
estar a pôr em risco o que a internet produziu de melhor – a diversidade das
fontes de informação – e a manipular a sociedade e a liberdade de expressão. As
“fake news” constituem uma autêntica ameaça à sociedade e à democracia, mas as
medidas tomadas para o combate à desinformação podem dar lugar ao mesmo
resultado, ao implicarem uma vigilância massiva dos discursos em rede,
autocensura e censura.


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Last updated on 2019-12-11 at 16:26